9 de out de 2013

Carnívoros


   "Libertem as proles" - gritavam os manifestantes em mais um protesto contra o consumo de carne humana, em frente ao maior matadouro do estado.
   Protestos do gênero já haviam se tornado comuns; ocorrendo desde o início da produção, em um passado nem tão distante. "Libertem as proles - são humanos como nós" - gritavam alguns manifestantes. "As proles também têm sentimentos" - berravam outros.
   Criados desde o nascimento (nos chamados "berçários"), as proles de modo algum eram vistas como "humanos" pelas massas. Não falavam, não se vestiam, nem nada do gênero.
   "É necessário! O mundo não sobreviveria sem as proles atualmente" - afirmavam os produtores. Nada se perdia neste negócio; as peles, cabelos e até o esterco viravam produtos. Era definitivamente um lucrativo sistema. "Nascem para isto" - ressaltavam os consumidores.
   Para o povo em geral esta produção era sequer estranhada. Nasceram e cresceram comendo carne humana; nem contestavam os porquês. Este ingrediente fazia parte da dieta geral, estando presente em diversas receitas e modos de preparos.
   "Não somos animais ou coisa do gênero para consumir mato ou carne de bicho" - diziam exaltados os carnívoros frente aos argumentos dos ativistas.
   As autoridades apenas controlavam os escassos manifestantes no local. Aos poucos o protesto se dissipava. Em breve ocorreria novamente - sem causar impactos na produção.


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2 de out de 2013

Notas sobre uma praia

Caminhei por horas sobre a areia;
o mar tentando a todo momento molhar meus pés.
Caminhei por horas pela beira da praia;
olhei para trás e parecia que poucos metros havia percorrido.

Estou em um hotel barato próximo ao mar. Divido com outros cinco colegas. Todas noites são iguais - garotos bêbados discutindo futilidades corriqueiras. Por vezes fujo de tudo para olhar o oceano e tentar lavar a alma.

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Escrevo essas palavras de um ônibus que desconheço seu trajeto - só sei seu destino.
A cidade está tomada de estrangeiros. Congressistas doutores vindo de vários lugares. Conversei em um péssimo inglês com dois deles. Uma pesquisadora canadense e um professor australiano. "Austrália - a terra onde qualquer coisa pode te matar" disso à ele. Ele riu; piada clássica. Me questionaram o que pretendo fazer em meu futuro. Respondi o óbvio, pois nem eu o sei.

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Gaivotas gigantescas molhavam as pernas no mar.
Corriam de mim quando me aproximava.
O mar vêm e vai.

Um terminal de ônibus se aproxima.
Pessoas correm.
Em algum lugar o mar vêm e vai.

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