26 de nov de 2011

Chimia de Abóbora [1]

O sol iniciava seu trajeto para o interior da Terra. Em breve tempo a escuridão dominaria aqueles pagos.

- Neto! Monta teu tordilho e vamos se bandear pro pasto campear o gado. Se a noite cai, quem manda nestes pagos são os bichos.
E se foram dois peões, com cães ladeando os cavalos. Era uma estrada de chão batido, marcada pelas patas dos cavalos. Aberta e delineada pela andança do gado.
Ao longe, pastando e ruminando viam-se as reses. Com o aproximar dos cavalos o gado ia se levantado - conheciam o caminho da volta.
Com o gado seguindo a frente e os cães acompanhando, avô e neto seguiam os animais.
- Esses bichos seguem na nossa frente como um tropel de soldados... – disse o velho Sebastião ao neto – e tu sabia que uns anos atrás, por esta mesma estrada, passaram marchando os Farroupilhas? Se iam para a peleia.
- Eu sei Vô... – respondeu o neto – tu já me contou.

7 de nov de 2011

E eu, o que faço com esses números?


Venho analisando socialmente algumas pessoas a um bom tempo. Entre muitas mesas de bar – ou de Cafés mesmo – tenho visto diferentes tipos de pessoas:
- Conheci pessoas que só sabem falar sobre filmes...
- Conheci pessoas que só sabem falar sobre música...
- Conheci pessoas que só sabem falar sobre futebol...
- Conheci pessoas que só sabem falar sobre LIVROS...

E me pergunto:


Ampulheta desregulada


Foi mau pessoal, eu estava meio afastado nos últimos dias... falta de tempo, "sá'com'é".
Acho que aqui no meu entorno o tempo sofre uma interferência do meu ego e o sol gira mais rápido em seu caminho diário no céu. Este mesmo efeito, consequentemente, atinge o tempo em toda sua amplitude, forçando meu ano a passar mais rápido, o que me força a dizer por todo 2° semestre: "Nossa, como o ano passou rápido, não é?!".

O complicado dessa mudança, na inconstante velocidade do tempo, é que minhas noites passam muito rápido... lhes juro que mal pisco os olhos e o meu relógio acelera sua rotação nos malditos 360° presentes no mostrador.
E sempre acordo quando os números estão iguais no digital: 1:11. 2:22, 3:33; alguma maldição adicional, assunto para outro momento.

Adicionalmente a esta preocupante variação temporal, é que durante o dia, quando estou no trabalho, tenho impressão de que o tempo passa m-a-i-s d-e-v-a-g-a-r. Juro! Mas enfim, de modo geral, numa média ponderada, meu tempo passa mais rápido que para o resto dos seres com polegar opositor. E consequentemente (certamente vocês me compreendem, claro!) tenho de me esforçar sobre-humanamente para gerenciar todas minhas atividades. Alguns de vocês talvez não compreendam, certamente, pois seu dia se divide em longas 24h... puff, quem me dera.

Em suma, decorrente desta minha complicada e pouco estudada condição, acabo por não conseguir ler muito durante o ano, possuindo uma baixa eficiência para tal atividade; mesma complicação se dá para escrever neste papel virtual.
Quem me dera ter descoberto esta deformação temporal mais cedo, pois tal resposta seria circunstancial para argumentar com meus professores em relação a algumas baixas notas. Minha condição é especial, claro.

Eu até gostaria de debater mais, e argumentar minha teoria com os caros leitores deste www, porém tá começando a novela... tchau.

Kapletto

(originalmente escrito para o blog http://www.vidadeleitor.com/)