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13 de mar. de 2015

Bicho

Animal sou
liberto sem fato
em diária rotina
de pasto em pasto.
Bicho de rua
marchando cansado
em busca de um sonho
já condenado.

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8 de mai. de 2013

Máscaras






Num descuido um sorriso escapa
E se desfaz a capa
De quem tentava
Se passar por mau.





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2 de jan. de 2013

Pisantes

Acabo de voltar de uma loja de calçados, onde comprei um novo par de tênis. Meus antigos pisantes estavam pedindo sua aposentadoria; compulsória, merecida, cumpriram seu contrato. Mas, na falta de imaginação, inspiração ou paciência, comprei um par idêntico ao anterior.
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26 de dez. de 2012

Limbo dos guarda-chuvas

Certa manhã encontrei uma porta jamais vista em meu apartamento. Era o "limbo dos guarda-chuvas". Haviam canetas por todos os lados, prendedores, guarda-chuvas e tudo que era perdido sem razão. Depois voltei a dormir, maravilhado com aquela loucura. Mas é uma pena... nunca mais encontrei aquela porta! Sigo perdendo minhas canetas.
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5 de dez. de 2012

Incontinuidade temporal

Juro que o tempo parou enquanto dormi - entre uma acordada e outra. Nada fiz; não fui para as ruas ou sequer saí da cama. Mas haveriam tantas e tantas possibilidades. Quando enfim me levantei, o tempo voltou a sua normal continuidade.
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28 de nov. de 2012

Previsões no Velho Oeste

O telefone toca no meio da tarde; sábado, no meio do filme. Sem muita paciência Paulo atende, com o olho ainda no bandido do faroeste.
Uma musiquinha de qualidade discutível anuncia um telemarketing.
- Bom dia, com quem eu falo? - questiona uma voz de falso-aveludado do outro lado da linha.
- Boa tarde, pois já passou do meio dia. E por favor, resuma, pois o o mocinho e o bandido estão se aproximando do embate.
- Hã... (silêncio). É... bem... represento o Jornal Qualquer e gostaríamos de estar verificando se o senhor não gostaria de estar assinando nosso jornal?
Um silêncio de alguns segundos é apenas quebrado por sons de esporas e tiros.
- Não... não tenho interesse. Até ma...
- Mas senhor - segue a voz do outro lado da linha - posso estar lhe oferecendo uma ótima promoção e...
- Não...
- Mas senhor - insiste a voz - posso estar lhe dando um desconto promocional de...
- Não... não tenho interesse neste jornal no momento. Quem sabe daqui a algum tempo. Agradecido!
- Obrigado pelo seu tempo senhor, compreendo. Mas para o Jornal Qualquer retornar o contato, o senhor não poderia estar me passando uma previsão?
Relinchos, gritos indígenas, música de fundo e os suspiros da donzela.
- Olha... acho que amanhã chove!

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14 de nov. de 2012

RE-LEMBRANÇAS

     Edgar tinha uma vida normal. Até que um dia sofreu um acidente motociclístico e perdeu a memória. No início foram duros dias, sem saber ao certo quem era, o que gostava ou odiava. Aos poucos, com a ajuda de amigos - e da internet de modo geral -, foi re-descobrindo seus gostos e desgostos. Re-lembrou quais eram suas comidas preferidas e pode re-experimentá-las pela "primeira vez", mais uma vez; re-descobriu seus locais preferidos e pode re-visitá-los com o olhar de um turista - pela segunda primeira vez; re-soube quais eram seus filmes favoritos e viu estes por várias vezes, mais vezes.
     Aos poucos Edgar foi voltando a ter uma vida normal; normal até demais... quase sem graça, depois de tantas (re)descobertas. Cansado da mesmice de comuns descobrimentos, Edgar resolveu tentar a sorte e jogar sua motocicleta outra vez sobre um carro qualquer - para perder a memória de novo.
     Infelizmente Edgar não re-aprendeu a andar de moto; apenas subiu sobre ela, caiu e quebrou uma perna...

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31 de out. de 2012

Relógio de Sol


   Usei relógios de pulso por muitos anos de minha vida; esta fantástica invenção atribuída à Santos Dummond. Hoje sou refém de um celular; onde escrevi originalmente este texto, inclusive.
   Atualmente tentam reduzir todas nossas necessidades à um único aparelho. Como se fossemos carregar uma casa inteira nas costas. Tudo à mão... tudo pronto para rapidamente ser perdido ou roubado. Depois é só recomeçar tudo do zero!? Tudo de novo?!

   Cansei... estou aprendendo a ver as horas pelo sol.


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17 de out. de 2012

Livros perdidos

   Perdi um livro propositalmente; não por falta de cuidado ou desatenção - sequer azar. Espero que quem o achar por aí tenha mais sorte que eu - ou posteriormente mais azar: e o perca novamente.
   Já andei diversas vezes com livros no bolso (desses literalmente "pockets") e nunca fui roubado. Já vi vários sebos com diversos livros expostos na rua, podendo ser pegos por qualquer um... e jamais presenciei um furto. É engraçado: ninguém quer roubar cultura ou conhecimento.
   Talvez aquele livro esteja agora em algum lixão ou boiando lá pelo Guaiba. Ou talvez preso em alguma estante.
   Que alguém roube cultura; ou no mínimo a pegue emprestada.
   Que alguém tenha mais azar que eu...

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18 de jul. de 2012

O violão

Encostado na parede um violão desafinado.
Cordas oxidadas; poeira impregnada.
Mas segue pelos cantos.

Promessas semanais de trocar as cordas.
Afinar, limpar,tocar e cantar.
Mas segue ali no canto.

Ainda vou retomá-lo, e relembrar velhos tempos.
Fazer música de novo soar pela madeira.
Antes que desafinem meus dedos.
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11 de jul. de 2012

A sociedade

Sub-julguei toda a sociedade, mas sem subjugar;
Botei o dedo em riste e pensei poucas e boas;
Falei muitas e más.

Mandaram-me não julgar a sociedade;
mas a sociedade mostrou a bunda,
e rebolou na minha cara!

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