24 de out. de 2012

10 microcontos de 1 Qualquer

   Alguns microcontos (e outras frases...) "selecionadas aleatoriamente" em anotações perdidas nas gavetas de um escritor qualquer.
   Confesso... as melhores estão guardadas para um futuro livro inédito! =/

  1. LEMBRETE: Tomar remédio pra falta de memória.
  2. Ansiosidade.
  3. E blá bla bla.
  4. Sua vida era um livro aberto - porém revisado e editado.
  5. Era 8 ou 80 ... jamais 44.
  6. Cansado da insônia, resolveu tomar um ônibus no meio da noite.
  7. Ano novo. Vida velha.
  8. Sobrou vontade; faltou dinheiro.
  9. E pensaram que seriam felizes para sempre.
  10. Em terra de surdos, quem pode falar não é ouvido.
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17 de out. de 2012

Livros perdidos

   Perdi um livro propositalmente; não por falta de cuidado ou desatenção - sequer azar. Espero que quem o achar por aí tenha mais sorte que eu - ou posteriormente mais azar: e o perca novamente.
   Já andei diversas vezes com livros no bolso (desses literalmente "pockets") e nunca fui roubado. Já vi vários sebos com diversos livros expostos na rua, podendo ser pegos por qualquer um... e jamais presenciei um furto. É engraçado: ninguém quer roubar cultura ou conhecimento.
   Talvez aquele livro esteja agora em algum lixão ou boiando lá pelo Guaiba. Ou talvez preso em alguma estante.
   Que alguém roube cultura; ou no mínimo a pegue emprestada.
   Que alguém tenha mais azar que eu...

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10 de out. de 2012

A felicidade, a certeza e o silêncio

   Há três coisas que foram inventadas pelos seres humanos: a felicidade, a certeza e o silêncio. A "felicidade" em totalidade é por si só a falta de memória ou desatenção com tudo que ocorre de horrendo no  entorno. A "certeza" é o excesso de confiança no exato, no correto; sempre há duas verdades, dois lados. E o "silêncio", nada mais é do que apenas a falta de sons; como o branco é a presença de todas cores e o preto a ausência das mesmas; só ouve o silêncio quem não quer escutar. De qualquer forma... são só palavras...

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3 de out. de 2012

Memórias desbotadas

   Lamentável pensar que as lembranças estão se limitando apenas a memórias. Algo que ocorre de tempos em tempos, mas apavorante pensar que está ocorrendo tão cedo.
   Poucos os antigos prédios que permanecem em pé. Os carros já não são os mesmos; algumas pessoas também já se foram. Construções caem para dar lugar a novas construções. Apenas as ruas seguem as mesmas.
   Nas fotografias seguem vivos os prédios, em preto e branco - de locais que já foram coloridos. Memórias, já desbotadas. As lembranças um dia se vão; as fotos amarelam; os filmes envelhecem; os papéis se perdem. A história se apaga.
   As poucas estruturas que seguem em pé, são toda a viva lembrança de uma geração. O que resiste, é a memória de uma cidade. Uma lembrança a cada dia mais esquecida.

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5 de set. de 2012

Diários de Mudanças



Mala aberta sobre a cama.
Roupas diversas empilhadas.
Caixas pelo chão.
Poeira pelo ar. 

Começo a organizar tudo para a mudança. Estarrecido fico com o volume de inutilidades guardadas durante a vida. Encaixoto o que realmente importa e sigo em frente. Abrir a mão de lembranças, recordações e ser menos sentimental; o pequeno apartamento não terá espaço para as caixas e caixas de fotos de outros tempos, coleções ou livros. Várias lembranças físicas já desfeitas, encaixotadas e guardadas em algum lugar da velha casa. Agora sigo apenas com a subsistência... só sobrevivência.

Mala novamente aberta.
Roupas novamente empilhadas. 
Caixas novamente pelo chão. 
Poeira pelo ar (e pelos móveis).

O apartamento vazio. Uma vida que cabe em poucas caixas. De sobre mesas e gavetas, tudo arrastado para caixas; a preocupação com organização ficará para o próximo apartamento. Um problema para meu 'eu futuro'. E a geladeira, mais vazia do que nunca.
                    
A tão comum sensação de estar esquecendo algo vai tomando conta. Mas o que realmente importa para a minha sobrevivência, agora cabe em uma mochila. Como um soldado em plena guerra.


Mala novamente aberta.
Roupas novamente empilhadas. 
Caixas novamente pelo chão. 
Poeira pelo ar (e pelos móveis).
Novo apartamento. Nova mudança.

   Os móveis montados, mas vazios. Nenhuma decoração, paredes em branco. A sensação contínua de sempre estar faltando algo; a sensação de estar vivendo em um hotel.

As roupas não estão empilhadas.
As caixas não estão pelo chão.
Mas a poeira está pelo ar...


   O novo apartamento ainda vazio. Os sons ecoam nas paredes. Uma sensação mista e confusa sobre a amplitude de espaço; o apartamento ainda é definido apenas por metros quadrados. Outros vizinhos, mesmos problemas.
   No piso, marcas da história; móveis fantasmas, manchas pelo chão, madeira bronzeada. Resquícios de outras épocas, outras pessoas, outras memórias. Em breve outros móveis; mas mesmos objetos, fotos e decorações.
   Por novas ruas passarei em minha rotina; novas visões terei, até pelas mesmas ruas que já passei. Pela janela, novos horizontes; outra paisagem, outra visão, mesma cidade. Levará dias até se acostumar com o que vejo através do vidro, e até lá persistirá a sensação de uma nova vida. Outra vida, mas mesma pessoa.
   Espero que agora persista um tempo de poucas mudanças. Ou... talvez... alguma pequena mudança venha para o bem: novas mudanças, nova vida.
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