15 de mai. de 2013

O temporal


O tempo fechou, o céu nublou
e tudo escureceu.
Correu o povo, que buscava socorro
em qualquer lugar.

As negras nuvens, tapavam as luzes
provocando o medo.
E na espera d'água, ficou a mágoa
da distância do lar.

No morro mais alto, da selva de asfalto
pairava uma antena.
E durante a noite, ficavam as luzes
alertando aviões.

Mas estavam enganadas, as desavisadas
luzes de alerta.
Pois foi sem aviso, que durante o dia
a noite chegou.

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8 de mai. de 2013

Máscaras






Num descuido um sorriso escapa
E se desfaz a capa
De quem tentava
Se passar por mau.





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4 de mai. de 2013

A poesia está na moda...


   Após o livro de Paulo Leminski chegar no topo da lista dos mais vendidos, parece que a poesia e os poemas chegaram juntos no gosto popular - ou, ao menos, na moda (a transposição representativa visual generalizada de uma população... ou seja, se não gostam, pelo menos representam... fingem).

1 de mai. de 2013

Batalhas

   Era uma vez, em um lugar muito distante, uma pequena vila de grandes guerreiros.
   Estes guerreiros estudavam técnicas de batalha por muitos anos. E treinavam diariamente para uma guerra que um dia viria.
   Após anos e anos de estudo e treinos nas técnicas gerais, especializavam-se em uma arma apenas. Sobre esta arma sabiam mais que os demais e manejavam-na com maestria.
   Com a especialização na arma, ainda passavam anos e anos em treinamento com a mesma, até atingirem os níveis exigidos pelos anciões da aldeia. Os anciões eram respeitados por seu extenso conhecimento nas artes da guerra; haviam estudado por anos e anos no assunto - e lutado muitas guerras, diziam.
   Estando assim no nível superior de estudos, os guerreiros especializados repassavam seu conhecimento adquirido para os novatos guerreiros que iniciavam seus estudos nas artes da guerra.
   Por vezes alguns destes guerreiros se iam da aldeia e não mais voltavam. "Estão batalhando", diziam os anciões. Porém raramente algum destes retornava para contar suas experiências. "As batalhas acabam, mas a guerra sempre continua", diziam.
   Mas para os jovens guerreiros estas batalhas nunca chegavam. O desejo de luta real era iminente - desejavam colocar em prática seus conhecimentos teóricos. Entretanto para alguns guerreiros a guerra jamais chegava; alguns sequer acreditavam que esta realmente existia. Mas seguiam confiando no que os anciões pregavam - com uma fé religiosa.

   O tempo passava, passavam os guerreiros e os anciões. Só não passavam as guerras - repetiam. E enquanto as batalhas não chegavam, seguiam estudando. Com o tempo a maioria chegaria ao nível de ancião e repassaria os conhecimentos, como um infinito ciclo. Os demais seguiriam, tendo fé que um dia chegaria sua vez.

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20 de abr. de 2013

Sonhos neuróticos

   A alguns dias tive um estranho sonho, que ainda estou tentando interpretar...

   Sonhei que, sabe-se lá como, eu tinha virado um reconhecido ator de cinema. Durante uma entrevista com uma repórter ela me questionava: "Com que diretor você gostaria de atuar"; "Ah, certamente com Woody Allen", respondi. Nisto, o Allan Stewart Königsberg (também conhecido como, justamente, Woody Allen) estava exatamente atrás de mim e ouviu o que eu respondi para a repórter, cutucou meu ombro e falou: "Hei, eu estava justamente lhe procurando... você é perfeito para o papel principal do meu próximo filme". 
   O estranho é que o filme fugia levemente dos outros clássicos do diretor (onde os atores sempre o interpretam); para ser mais exato a ideia do Woody era que ele me interpretasse - eu na realidade nem apareceria no filme, ele faria o meu papel. É lógico que eu topei a ideia na hora.
   Assim, Woody Allen passou vários dias me seguindo e fazendo tudo o que eu fazia - o famoso "laboratório". Usava as minhas roupas, mudou o cabelo, deixou a barba crescer, quase teve uma overdose de café e copiava minhas manias e modos.
   Com o tempo Woody ficou mais íntimo e começou a questionar e criticar meu estilo de vida. Dizia que eu não tomava vitaminas o suficiente e gastava muito dinheiro em café; também estranhava que eu não era muito neurótico. "É necessário ser pelo menos um pouco neurótico nos dias de hoje", dizia. Acabei tirando a barba, cortando os cabelos, comprando novas roupas e sapatos adequados, além de trocar meu cereal matinal. Também tive que agendar consultas pelos próximos 6 anos e meio com um analista. Em poucos dias eu já reclamava de tudo, tomava remédios para controlar a ansiedade e a pressão; já havia até me convertido para o judaísmo. Praticamente uma versão traduzida do próprio diretor.
   Com a finalização do "laboratório" de Woody Allen comigo, eu estava exatamente como ele. Acabou que o filme foi sobre um personagem neurótico em alguma cidade do mundo.

   ... mas acordei antes do lançamento do filme. Ele havia garantido que haveriam bons petiscos na estréia. Uma pena, uma pena.
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