7 de ago. de 2013

Textos programados

   Escritor, morreu em um incidente em uma rua pouco movimentada, em noite qualquer. Morreu o autor, mas não sua obra; esta viveria pela eternidade, nem que esquecida em uma prateleira qualquer.
   O que muitos não sabiam é que ele mantinha um blog com seus mais íntimos pensamentos. Quando foi descoberto, toda sua vida estava lá. Todas suas memórias, sonhos e pensamentos. O local tornou-se um memorial para seus poucos fãs. Seus escritos eram lidos e relidos.
   Um dia um novo texto foi publicado; pensamentos empoeirados pelo virtual tempo. E a cada mês, um novo escrito ganhava vida - mesmo com a morte de seu autor. O tempo foi contado por alguns, acompanhado, aguardado. Seus escritos mais profundos vinham ao mundo após nenhum outro mais poder ser criado. Ninguém sabia até quando isto poderia ocorrer. Ninguém se importava.
   Certo dia, no dia certo, um texto não foi publicado. A segunda morte do autor chegava.

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31 de jul. de 2013

Notas de um ônibus


   Lá fora tudo passa; rápido pela janela. Passam as ruas, carros, luzes, pessoas. Noite inicia. Paradas cheias de pessoas vazias. O corre corre de todos os dias, intensificado pelo último útil da semana.
   Cruzamentos congestionados de carros com motoristas solitários. Carros que levam  e trazem pessoas do trabalho; que trabalham para poderem pagar seus carros, para poderem ir de carro para o trabalho.

   No colo segue um livro aberto. Esperando ser lido. Mas pela janela há tantas histórias não lidas; e que nem esperam ser.

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24 de jul. de 2013

Amarga dor



Esse aperto no peito
sem ação ou efeito
que de onde parte
não sei.

É um algo de amargo
sem gosto, sem lado
que me dói
sem doer.



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17 de jul. de 2013

Notas de uma ru(ss)a


   Acabo de conversar brevemente com uma russa em plena Rua da Praia; não lembro de qual cidade ela citou que veio, mas lembro que falou que era um local muito frio. Provavelmente deve estar se sentindo em casa agora, visto que chegou o outono oficialmente. As ruas recendem a uma mistura de cheiros de casacos novos e guardados por longo tempo.
   A tal russa tinha um jeito de budista; na real acho que era hare-krishna. Distribuía livros de auto-ajuda e espirituais. A oferta era livre, quaisquer moedinhas. Acabei não levando nada. Fiquei me sentindo mal por isto.
   Entrei em uma cafeteria e pedi um café para levar. O dia acordou cinza e ainda não ganhou cores. Mas todos parecem mais vivos; talvez pelo contraste de tons. Andei com o café na mão; continuei me sentindo mal. Vou voltar e comprar qualquer livro. A história por trás do livro é ainda mais interessante.


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10 de jul. de 2013

Rodina



Noite cai
Dia finda
Povo corre
rumo casa.
Noutro dia
adivinha...
Corre povo
Tud'enovo.


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